SEJAM BEM VINDOS AO MEU BLOG, O OBJETIVO É FALAR DAS EXPERIÊNCIAS QUE TENHO AO LONGO DOS MEUS DIAS, AQUI SABERÃO UM POUCO DE MIM, DO QUE PENSO E DO QUE ACHO QUE SEI, BOA LEITURA E DIVERSÃO.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

É AMANHÃ


CONVITE:


CONVITE:


CONVITE:


CONVITE:


SÓ ABRAÇA QUEM QUER...


CONVITE:


CONVITE:


CORUJA:


CONVITE:


TOMA!!!!!!


EXTRAIDO DO BLOG - TE DOU UM DADO:


Não tem quem diga

Publicado por: Lele
Do Ego:
guilherme.jpg Não tem quem diga
O que não é a Medicina, né. (Só que a gente, operada fosse, um nome menos Rogéria escolheria.)
(Valeu, Andrea!)

EXTRAIDO DO KIBELOCO:

30 mai // 2013

VISTO DE SAÍDA (PARTE 2)



Não entendeu? Clique AQUI.

EXTRAIDO DO BLOG DO SAKAMOTO 6:

Não importa de onde partiu o tiro que matou o indígena Oziel Gabriel, nesta quinta (30), durante a operação de reintegração de posse da fazenda Buriti, reivindicada e ocupada pelo povo terena, em Sidrolândia (MS). O governos federal e estadual, tanto os de plantão quanto os que vieram antes deles, são os responsáveis por criar as condições que levaram ao momento exato em que uma bala atingiu o abdômen de Oziel. Não importa quem puxou o gatilho, todos colocaram a bala na agulha.
Por ignorar os direitos dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, cedendo às pressões de produtores rurais, rebaixando a qualidade de vida de populações tradicionais em nome de projetos de desenvolvimento duvidosos, seja através da demora e da inação, seja pela aprovação de medidas que criam entraves para o reconhecimento desses direitos. Decisões judiciais tomadas sem conhecer as especificidades do tema, execuções de ordem feitas de forma estabanada, ação de seguranças privados, tudo é consequência de um circo anteriormente armado.
Cerca de 98% das terras indígenas brasileiras estão na região da Amazônia Legal. Elas reúnem metade desses povos. A outra metade está concentrada nos 2% restantes do país. Sem demérito para a justa luta dos indígenas do Norte, o maior problema se encontra no Centro-sul, mais especificamente no Mato Grosso do Sul – que concentra a segunda maior população indígena do país, só perdendo para o Amazonas. Há anos, eles aguardam a demarcação de mais de 600 mil hectares de terras, além de algumas dezenas de milhares de hectares que estão prontos para homologação ou emperrados por conta de ações na Justiça Federal por parte de fazendeiros.
Ao longo dos anos, os indígenas do estado, principalmente os  Guaranis Kaiowá, foram sendo empurrados para reservas minúsculas, enquanto fazendeiros, muitos dos quais ocupantes irregulares de terras, esparramaram-se confortavelmente pelo Estado. Incapazes de garantir qualidade de vida, o confinamento em favelas-reservas acaba por fomentar altos índices de suicídio e de desnutrição infantil, além de forçar a oferta de mão de obra barata. Pois, sem alternativas, tornam-se alvos fáceis para os aliciadores e muitos acabaram como escravos em usinas de açúcar e álcool no próprio Estado nos últimos anos.
O agronegócio brasileiro é o um dos setores que mais tem crescido nos últimos anos, com apoio sólido do governo federal. Um dos efeitos do cenário positivo para o setor foi o aumento do preço das terras. De acordo com uma análise da consultoria Informa Economics FNP, especializada no mercado agropecuário, datada de setembro de 2012, o preço das terras no país teve um aumento de cerca de 32% nos últimos 12 meses. Em maio de 2011, o Mato Grosso do Sul sofreu um aumento médio de 30% no valor da terra em relação a 2010, índice que chegou a 100% no norte do estado, de acordo com o Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul.
A valorização do agronegócio e das terras nas últimas décadas tem tido um efeito preocupante sobre o processo de reconhecimento dos territórios indígenas. Em números totais, por exemplo, o presidente Fernando Collor de Melo homologou 112 Terras Indígenas (TIs) entre 1991 e 1992, e entre 1992 e 1994, Itamar Franco homologou 18. Nos seus oito anos de governo, Fernando Henrique Cardoso homologou 145 TIs. Já no mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ocorreram 79 homologações, e no de Dilma Rousseff, apenas três. Os dados são do relatório “Em terras 
alheias”, sobre a produção agropecuária em terras indígenas no Mato Grosso do Sul, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da Repórter Brasil.
O setor produtivo – com apoio, nos últimos anos, do governo estadual – tem exercido uma oposição ostensiva ao processo de reconhecimento das terras indígenas no Mato Grosso do Sul. Por outro lado, no entanto, a trágica situação dos indígenas no Estado também levou a um movimento mais amplo e intenso de reconhecimento de suas características sócio-culturais e de seus direitos ancestrais, inserindo no tabuleiro das disputas conceituais um novo parâmetro de valor, que se contrapõe ao econômico-financeiro.
Eles resolveram ir à luta e não morrer em paz, como muitos desejariam.
Apesar de a bomba ter sido montada por muito governos federais e estaduais, é a atual gestão ficará marcada como aquela que permitiu um processo genocida contra as populações indígenas em nome de uma noção equivocada de desenvolvimento durante um período de democracia. O discurso de que há interesses econômicos estrangeiros envolvidos em possíveis barreiras não-tarifárias por justificativas sociais a serem erguidas a nossos produtos pode colar como discurso nacionalista, mas o governo precisará se esforçar mais para sair dessa sinuca de bico. Sim, são interesses econômicos externos que, muitas vezes, geram boicotes. Mas, sim, é a incompetência do Estado como garantidor de direitos fundamentais que possibilita que isso aconteça.
Como solução de curto prazo, sugiro ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo – que pediu à Fifa que ingressos dos jogos da Copa do Mundo no Brasil fossem oferecidos especialmente a populações indígenas – o envio de um par deles aos dois filhos de Oziel em compensação pela morte do pai.
Aldo, quando deputado federal, foi contra a demarcação de territórios, e sobre isso falou: “O respeito aos direitos dos indígenas não pode implicar o esbulho dos não índios que há muito tempo fincaram a bandeira do Brasil naquela região.”
Garantir os mínimos direitos a esses povos, que amargaram séculos de genocídio, não os isola do resto da nação. Pelo contrário, ajuda a torná-los, de fato, brasileiros, por lhes conferirem dignidade. Dignidade reivindicada por terenas, como Oziel.
O governo federal deveria perguntar, então, o que essas populações preferem: as terras que lhes são de direito, para poderem plantar e sobreviver, ou ingressos baratinhos para a Copa.
Isso seria possível, é claro, se o governo fizesse oitivas com populações indígenas conforme prevê a Constituição Federal – coisa que não acontece, vide as populações indígenas que insistem em ser ouvidas e paralisam as obras da usina de Belo Monte. No final, decidirá sozinho pelos ingressos, achando que isso pega bem lá fora.
Ou talvez o governo esteja propondo ingressos fáceis para os indígenas porque, no ritmo em que as coisas andam em Estados como Mato Grosso do Sul (e seu genocídio, a conta-gotas), até a Copa não vai sobrar lá muitos para dar prejuízo aos organizadores dos jogos.

EXTRAIDO DO BLOG DO SAKAMOTO 5:

Gosta de caranguejo? Conheça as crianças que os coletam para você

Leonardo Sakamoto
Crianças e adolescentes trabalham na cata de caranguejos na capital da Paraíba. A prática, que é vista por muitos como parte da cultura local, já levou ao afogamento de um menino de 11 anos. “A maré estava seca. Quando o caranguejo correu, o menino escorregou e o barro o puxou para baixo. Ele ficou em pé, atolado, encoberto pela lama. Não tinha adulto perto na hora. Quando chegamos para tentar salvá-lo, não o encontrávamos, pois pensamos que a maré o tinha levado. Mas ele estava exatamente onde tinha afundado. Demoramos 40 minutos para achá-lo”, lembra o presidente de uma associação de moradores que sobrevivem dessa coleta. “Ele era muito brincalhão, todo mundo gostava dele.” A boa reportagem e a foto é de Igor Ojeda, da Repórter Brasil, direto de João Pessoa:
Distante alguns quilômetros das movimentadas praias de Tambaú e do Cabo Branco, o bonito centro histórico de João Pessoa, capital da Paraíba, abriga centenas de edificações de diferentes arquiteturas e épocas. Igrejas, sobrados e casas, além de ruas e praças, compõem o cenário. Barroco, rococó, colonial, maneirismo, art noveau… há estilos para todos os gostos. Caminhando rumo à chamada Cidade Baixa o visitante se depara com um conjunto compacto de casarios coloniais. Chama a atenção a igreja e o antigo Hotel Globo, que hoje funciona como centro cultural. Mal sabe o turista, no entanto, que logo atrás desses prédios “esconde-se” uma dura realidade: o Porto do Capim, comunidade de baixa renda localizada às margens do rio Sanhauá.
São cerca de 350 famílias pobres vivendo sob condições muito difíceis, morando em casas simples de alvenaria ou barracos de madeira à beira do mangue. Seus moradores, em geral, trabalham em oficinas mecânicas e madeireiras próximas, ou como descarregadores de caminhão, entre outras ocupações. Muitos recebem o Bolsa Família, que não é suficiente, porém, para o sustento da famílias. Na comunidade não há posto de saúde, quadra poliesportiva ou equipamentos culturais. E a única escola pública atende apenas alunos da primeira à quarta série do ensino fundamental.
A total ausência de opções de lazer e cultura e a necessidade de complementar a renda se traduzem numa triste realidade que acompanha o Porto do Capim há anos. Crianças e adolescentes passam horas coletando caranguejos-uçás e guaiamuns – outro tipo de caranguejo – nos mangues locais para depois os venderem para a população da cidade. “Durante o ano inteiro, eles armam a ratoeira pela beira do mangue para pegarem o guaiamum e depois saem vendendo. Já durante a andada do caranguejo-uçá, é muita criança dentro do rio. É mais perigoso, porque precisa atravessar o rio, pode cair dentro da água”, explica Sebastião Camelo, presidente da Associação dos Moradores do Porto do Capim. A andada é o período em que há o acasalamento e a desova dos caranguejos-uçás, o que os leva a ficarem mais tempo fora da toca, tornando-os presas fáceis. A cata desses crustáceos é proibida durante essa época.
Para vender e para comer - “Os meninos pegam os caranguejos tanto para comer quanto para vender. A criança às vezes quer uma roupa, mas o pai não pode dar. E muitas vezes precisa levar alguma comida para casa”, conta Sebastião. “Aqui, a menor casa tem cinco filhos.” Segundo ele, há na comunidade cerca de 400 crianças de um a dez anos de idade. O Bolsa Família, explica, não alcança para pagar todas as contas. “Tem família que às vezes bate em casa porque não tem um prato de comida para comer”, diz.
A atividade em mangues é considerada uma das piores formas de trabalho infantil, de acordo com o decreto presidencial 6.481, de 2008. Segundo tal documento, nesse tipo de trabalho crianças e adolescentes são expostos à umidade e excrementos, cortes e perfurações e picadas de serpentes. Além disso, podem contrair doenças como rinite, resfriado, bronquite, dermatite, leptospirose e hepatite viral. “Aqui as crianças se machucam muito, pois no mangue tem muito galho, tocos, além de entulho jogado, como vidro, ferros, até pedaços de vasos sanitários. É muito arriscado. Tem um caso de um morador que quando era criança chegou a rasgar o pé num ferro, de um lado ao outro. Levou 36 pontos. Além disso, o próprio caranguejo pode cortar o dedo dos meninos”, explica o presidente da Associação dos Moradores do Porto do Capim.
Tragédia - Uma consequência extrema do trabalho infantil no mangue da comunidade aconteceu em janeiro deste ano, quando uma criança de 11 anos morreu afogada enquanto catava caranguejo. “A maré estava seca. Quando o caranguejo correu, o menino escorregou e o barro o puxou para baixo. Ele ficou em pé, atolado, encoberto pela lama. Não tinha adulto perto na hora. Quando chegamos para tentar salvá-lo, não o encontrávamos, pois pensamos que a maré o tinha levado. Mas ele estava exatamente onde tinha afundado. Demoramos 40 minutos para achá-lo”, lembra Sebastião. Os bombeiros e paramédicos tentaram reanimar a criança, mas ela já chegou morta ao hospital. “Ele era muito brincalhão, todo mundo gostava dele.”
À Repórter Brasil, o pai do menino nega que o filho, que ainda estava aprendendo a nadar, catava caranguejo para vender. “Eu dizia a ele que não havia precisão, pois eu sou bem empregado, trabalho na madeireira. Trabalho muito para que meus filhos não precisem trabalhar. Tanto que ele não vendia, o que ele pegava doava para a comunidade. Eu não deixava, não queria que ele catasse caranguejo nem por esporte. Sei que o rio é fundo. Mas ele se juntou com outros meninos… infelizmente aconteceu”, diz o homem, que tem outros cinco filhos. Segundo ele, no mesmo dia do acidente um vizinho o avisou que o menino tinha lhe dado dez caranguejos. “Quis pagar, mas meu filho não aceitou. Ele era minha vida, mas era teimoso. Foi estripulia de pirralho.”
Um dia antes da tragédia, um incidente inusitado assustou a comunidade. Um boato de que Gabriel* havia caído do trapiche local causou correria entre os moradores. Mas o garoto de oito anos estava longe dali, acompanhando a mãe em uma missa. Até hoje não se sabe o que gerou o rumor, mas a população do Porto do Capim consideram-no um aviso do que ocorreria 24 horas depois. Para completar, o menino era primo da vítima de afogamento. “Eu não estava junto não. Ele passou de manhã para o mangue, mas minha mãe mandou voltar. De tarde voltou, escondido”, conta Gabriel, que desde os cinco anos de idade também pega caranguejo-uçá e guaiamum. “Hoje eu estava pegando guaiamum na ratoeira. Caranguejo-uçá a gente pega na andada, com a mão, com pau, com a chinela”, explica. O garoto diz que se corta com frequência, em pedaços de vidro e madeira. “Pego mais ou menos uma sacola por dia [cerca de 15 quilos], para comer e para vender. Uma parte eu levo para casa, outra eu dou para minha tia cozinhar e vender no bar dela. O dinheiro eu dou para minha mãe guardar.”
Políticas públicas - O falecimento do menino de 11 anos no Porto do Capim levou o procurador-chefe do Trabalho no estado, Eduardo Varandas, a abrir um procedimento para acompanhar a implementação de políticas públicas de combate ao trabalho infantil na Paraíba. Quem está à frente do caso é a procuradora Edlene Lins Felizardo, titular da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes (Coordinfância) no estado. Ela está propondo à Prefeitura de João Pessoa a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) contendo uma série de medidas a serem tomadas para melhorias das condições de vida no Porto do Capim, como sua revitalização. “Nesse TAC, incluí não apenas a questão dessa comunidade, mas também diversos outros assuntos relacionados ao trabalho infantil na cidade. Temos problemas também nos mercados, feiras livres e praias, por exemplo, onde crianças costumam vender amendoins”, diz a procuradora, que também acionou o Conselho Tutelar por meio de uma notificação recomendatória. Nesta, pede-se que o órgão fiscalize a incidência de trabalho infantil nos mangues e comunique a situação ao Ministério Público do Trabalho e à Secretaria de Assistência Social do município, para que as crianças sejam encaminhadas, por exemplo, ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras), ambos do governo federal.
Edlene espera que a Prefeitura formule uma solução que contemple as necessidades da comunidade do Porto do Capim. “Há o problema de ser uma ocupação em uma área da União. Mas você não pode simplesmente pegar as famílias e expulsá-las. É um problema político que a Prefeitura tem de resolver”, opina. Segundo Sebastião, da associação de moradores, o ideal seria revitalizar o local, reformando as casas, e construir um píer para ser usado como ponto turístico.
A reportagem falou com a assessoria de imprensa da Prefeitura de João Pessoa, que a pôs em contato com a secretária de Desenvolvimento Social Marta Geruza Gomes. Esta, por sua vez, não se posicionou sobre o assunto até o fechamento desta matéria.
* Nome alterado para preservar a identidade do entrevistado

EXTRAIDO DO BLOG DO SAKAMOTO 4:

Você foi programado para gostar de “infartitos”. E agora?

Leonardo Sakamoto
Vergonha alheia.
Um dos piores sentimentos do mundo. Aquela sensação de se contorcer todo para caber em uma xícara do café ou no copo de chope quando alguém da mesa diz algo esdrúxulo e vergonhático.
Uma das coisas que mais me dá vergonha alheia é quando escuto alguém usar o argumento “não gosta, é só não consumir”, como se nada nos guiasse para adquirir um produto. São tantos elementos que incidem na formação do desejo e na tomada de decisão que eu me pergunto se é possível afirmar, no final das contas, que temos livre-arbítrio.
Nossas ações são, em muito, determinadas pelo ambiente em que vivemos, as situações das quais compartilhamos, nossos amigos, parentes e colegas de trabalho e do tipo de propaganda que absorvemos diariamente. Por exemplo, as que dizem que esponjas amarelas e com gosto artificial de queijo são saborosas ou que tornam dois litros de caramelo preto com essências variadas um dos símbolos de nossa era e civilização.
Você acha que tem opção. Mas o que se convencionou chamar de liberdade para consumir é um processo com uma gama muito estreita de opções. A informação de que existe um mundo lá fora que vá além de esponjas de queijo e ácido carbônico preto é pouco difundida pelos veículos de comunicação. E, quando difundida, ela é inigualavelmente mais chata que os anúncios.
Isso sem falar que furar a “liberdade assistida” tem um custo alto, que a maioria dos brasileiros não pode pagar. Tanto o consumo saudável quanto o consumo consciente são atividades censitárias em uma cidade como São Paulo. Ou seja, é – em grande parte das vezes – para quem tem dinheiro para fazer uma escolha e pagar mais pelo melhor (se for sem agrotóxico e livre de transgênicos, então…) ou tempo para preparar algo não-industrializado. E, portanto, mais dinheiro disponível.
Uma reunião dos países-membros da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, decidiu, esta semana, por adotar um plano para conter o aumento da obesidade no mundo. O que inclui a mudança de hábitos considerados prejudiciais e vinculados ao aparecimento de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes: fumar, beber e comer alimentos ricos em substâncias que causa danos ao organismo. OK, reconheço, só aquilo que é considerado bom.
O plano da OMS inclui a necessidade de reduzir os níveis de sal, açúcar e gordura em alimentos industrializados, diminuir as porções servidas e, atenção, solicitar um controle maior por parte dos governos quanto à publicidade voltada a crianças.
Em 2010, a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE apontou que 50,1% dos homens e 48% das mulheres estão com excesso de peso (na década de 70, o índice era de 18,5% e 28,7%, respectivamente). Enquanto isso, 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres são obesos. Não estou discutindo critérios estéticos, mas sim uma questão de saúde pública. Sei do que estou falando, tenho pressão alta e níveis de colesterol e triglicérides mais altos do que meu médico gostaria.
Nossa qualidade de vida aumentou ao termos menos tempo para fazer nossas refeições e, consequentemente, optarmos por nos entupir de produtos menos saudáveis, mas mais rápidos? A entrada de classes mais pobres no consumo através de uma avalanche de carboidratos industrializados alardeados como status social na TV deve ser comemorada? O biscoito recheado é o novo Santo Graal do Brasil contemporâneo?
Afinal de contas, a nossa sociedade de consumo e sua máquina de empacotar soluções ineficazes para frustrações empurra de um lado para o tamanho XXXG. Simultaneamente, do outro lado, parte da mídia e da indústria da moda diz que só pode ser feliz quem cabe em um manequim 32. No máximo. E dá-lhe modelo desfilando com cara de quem comeu meia folha de alface e o bando de menininhas e menininhos suspirando para ter um corpo igual a esses palitinhos, que também não deveriam ser exemplos de saúde para nada. Esquizofrênica a situação? Imagina. Tudo faz sentido. Para o bolso de alguns.
Sei que a evolução programou meu cérebro por milhares de anos para gostar de gordura e me preparar para tempos de vacas magras. Mas, hoje, essa programação natural é reforçada por outra.
Apenas com muita dificuldade somos capazes de aprovar regras para anúncios publicitários de produtos gordurosos ou com muito açúcar ou sal. E olha que não estamos falando de proibição, mas sim de informação – coisa que deveria ser fornecida abertamente. Afinal de contas, o consumo em excesso de certos alimentos pode trazer riscos à saúde.
Regras assim não agradam as indústrias de refrigerantes, sucos concentrados, salgadinhos, biscoitos e de bebidas com muita cafeína. Lembremos que a exigência de rotulagem de produtos que contenham transgênicos e a obrigação de estampar que o tabagismo mata nos maços de cigarro também foram alvo de furiosas reclamações por parte de algumas empresas e associações.
Quando alguma limitação à publicidade de produtos é baixada, há sempre um grupo que brada ser esse ato um atentado à liberdade de expressão. Mas, ao usar essa justificativa, o que acaba defendendo é o direito de ficar em silêncio para não se expor diante da sociedade. O problema é que essa omissão de informações acaba sendo um atentado contra a liberdade de escolha. Não é possível decidir se não há informação suficiente. Vivemos um capitalismo de mentira no qual não querem nos dar todas as informações para tomarmos a melhor decisão.
Colocar isso em prática é difícil. Afinal de contas, uma campanha na TV para dizer “modere” a comidas (sic) como um salgadinho Infartitos é muito mais booooring do que uma peça publicitária usando o Ben 10 e a preguiça simpática do The Croods, piscando na tela tão rápido que, se não convencer a consumir, pode causar um ataque epilético à la Pikachu.

EXTRAIDO DO BLOG DO SAKAMOTO³:

Dinossauro foge em Marília. Anões de jardim se suicidam na França

Leonardo Sakamoto
Fui surpreendido com a notícia de que um dinossauro de sete metros de altura foi roubado de uma rotatória na zona sul de Marília, interior do Estado de São Paulo.
Não tenho muito mais informações, mas os sequestradores teriam utilizado uma caminhonete na fuga, que acabou por colidir com outros veículos, fazendo com que o refém fosse deixado para trás – não sem ferimentos. Agora o bichão de fibra de vidro (como as vaquinhas da cowparade) deve ser restaurado e reconduzido ao seu lugar.
Provavelmente são moleques em fúria ou ladrões bem idiotas, porque dinossauros multicoloridos de fibra de vidro não causam frisson no mercado da arte.
Ou talvez mais. Uma ação como essa deve ter um sentido. Precisa de um sentido. Um porquê.
Sou fã de um grupo que tem atuado na França pela liberdade daqueles que são incapazes de lutar por seus direitos. Mas que, humilhados e maltratados, servem aos fetiches de uma sociedade onde o kitch foi reformado e hoje é hype, cool e ubber.
A Frente de Libertação dos Anões de Jardim tem resgatado estátuas que, usualmente, vêm em grupos de sete, devolvendo-as para florestas e bosques. Ou recolocando-as em escadarias de igrejas e outros lugares santos. A última estimativa é de que o grupo tenha raptado libertado mais de seis mil criaturas na França. Seis mil! Onde quer que eles estejam, já se tornaram um condado maior que o de Frodo.
Certa vez, em uma ação dramática, 11 anões de jardim foram encontrados, enforcados em uma ponte, como forma de protesto pela manutenção dessa exploração. Junto a eles, um bilhete de suicídio coletivo.
E se os sequestradores de Marília estivessem resgatando os dinos de fibra da cidade, um por um, para serem libertados em alguma área rural a fim de se alimentarem felizes e brincarem com os velociraptors?
Idiota? Não, o mundo se leva a sério demais. Sinto a falta de mais ações de intervenção urbana que exponham publicamente o quanto somos ridículos. Ou atos que despertem nossa incredulidade através do nonsense da vida real – lembrando-nos que a vida real tem menos sentido do que os sentidos que insistimos em colar nela.
O dino de Peirópolis (MG) deve ter ficado preocupado após o ocorrido em Marília

EXTRAIDO DO BLOG DO SAKAMOTO²:


Tinha ido dormir determinado a cruzar a cidade de bicicleta na manhã deste domingo. Mas o sol, ao se levantar, levou a determinação para passear sem me convidar para ir junto.
Analisando com cuidado e comparando cansaços pontuais com preguiças sistêmicas, não me meto em metade das coisas nas quais eu me metia quando tinha metade da idade que tenho hoje. OK, convenhamos que eu era um alucinado. Entrava em toda discussão, da cor da margarina ao sexo dos druidas, como se o resultado daquele debate fosse fazer o planeta parar de rodar.
Lembro, por exemplo, que não achava estranho quando o pessoal de um dos centros acadêmicos da universidade organizava atos contra o estado das coisas em uma sala de aula, a portas fechadas, às 22h de uma sexta-feira, com discursos longos que rompiam a madrugada, protestando para eles mesmos. Hoje, eu mandaria entregar pizza no evento.
Apesar de ainda gastar muita saliva à toa, desisti de 83,7% dos bate-bocas. Em diversas ocasiões, chego até a abrir a matraca, mas fecho logo em sequência quando penso que minha intervenção não irá gerar um fiapo de reflexão nos outros ou de mudança no meu próprio pensamento. Quem lê isso e me conhece, não acredita, pois ainda sou um mala. O fato é que o mala podia ser pior.
E o que digo não é chute, não. Foi atestado cientificamente. A mãe psiquiatra de uma amiga, que aos 18, me diagnosticou com um “Leonardo, você fala demais”, pouco tempo atrás reafirmou categoricamente e sem espaço para dúvidas algo do tipo “Leonardo, você está falando menos”.
Isso para quem acorda e dorme com comentaristas espumando de raiva no próprio blog é uma baita qualidade.
Outra amiga diz que a gente fica mais esperto e não gasta energia em coisa que não vale a pena. O que não se aplica, claro, a andar de bicicleta. Gostamos de dizer que se ganha vivência com o tempo. Mas, nesse caso, o que chamamos de sabedoria é um misto de experiência com preguiça e falta de paciência.
Essa mesma amiga estava, há pouco, preparando café da manhã para os dois filhos e mais três coleguinhas que se ajuntaram em uma festa do pijama em sua casa. Passado o #momentodepressão (como assim os filhos dos meus amigos já fazem festa do pijama?!), a sua disposição quase me comoveu a tirar a bicicleta da garagem. Quase.
Mas aí me espelho em outros exemplos. Um escritor – foge-me sorrateiramente o nome neste momento – tem um carimbo com algumas opções de dedicatórias que ele usa em noites de autógrafos de seus livros. Carimba, marca a opção que tem mais a cara do seu leitor com um “X” e rubrica. Antipático e doce, como deve ser uma crítica sutil a esses rituais, ao mesmo tempo.
Por favor, não pensem que estou ovacionando pura e simplesmente o direito à preguiça – apesar dele ser completamente necessário, ainda mais em uma sociedade da velocidade, da mudança e do movimento que produz aberrações loucas que não conseguem parar nem em um domingo de manhã e ficam com os dedos coçando para botar para fora uma energia que poderiam estar queimando com um exercício físico. Como eu.
Defendo o direito de parecer preguiçoso e antipático, descabelado e sem maquiagem. O que está cada vez mais difícil, ainda mais em tempos de redes sociais em que o pessoal que leva sua imagem a sério demais, que querem se mostrar com certa pompa até quando não estão fazendo absolutamente nada. São capazes de postar o seu cocô na timeline, mas com o cuidado de decorá-lo com flores e temperos mediterrâneos.
Não entendeu? Deixa pra lá.

HEROIS NEGROS...MARTIN & MALCOM


OWLLLLLLLLLL!!!!!!!


EXTRAIDO DO BLOG DO SAKAMOTO:

Frigoríficos atuam no Congresso para reduzir proteção aos trabalhadores, diz Ministério Público

Leonardo Sakamoto
Empresas do setor de frigoríficos, atividade econômica que está entre as que geram acidentes do trabalho e doenças ocupacionais no Brasil, vêm atuando no Congresso Nacional para alterar o artigo 253 da Consolidação das Leis do Trabalho, diminuindo a proteção à saúde e segurança dos trabalhadores.
Essa é a avaliação do procurador do Trabalho Heiler Natali, gerente nacional do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos, do Ministério Público do Trabalho – que participou, nesta quarta (22), de audiência pública na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, da Câmara dos Deputados, sobre o projeto de Lei 2.363/11, do deputado federal Silvio Costa (PTB-PE). O PL limita o direito a intervalos durante o trabalho. Heiler lamenta que as medidas previstas na, recentemente lançada, Norma Regulamentadora 36 do Ministério do Trabalho e Emprego (que envolve o setor) nem foram implementadas ainda, mas ações que podem reduzir os seus efeitos continuam em curso.
O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, assinou, em abril, a Norma Regulamentadora nº 36, que tem o objetivo de melhorar as condições de trabalho em frigoríficos e abatedouros do país. A norma é resultante de discussões e análises feitas por uma comissão tripartite entre o governo e os setores empresarial e trabalhista. Uma das principais exigências da NR é a concessão de pausas aos trabalhadores distribuídas ao longo da jornada diária.
Blog do Sakamoto – Por que esse projeto é danoso aos trabalhadores?
Natali – O artigo 253 da CLT prevê intervalos de 20 minutos a cada 1h40 de trabalho em ambientes frios. A súmula 438 do Tribunal Superior do Trabalho pacificou o entendimento de que essas pausas devem ser asseguradas em todos os ambientes artificialmente frios. O projeto de lei em questão limita o direito desse intervalo a quem trabalha em ambientes abaixo de 4ºC, desconsiderando centenas de milhares de pessoas que trabalham em temperaturas de 10 ou 12ºC. Se essas pausas para recuperação térmica, a saúde essas pessoas será prejudicada.
Prejudicada como?
O frio, e aqui é importante esclarecer que estamos falando de frio em temperaturas já abaixo de 16ºC, conforme estudos publicados, inclusive pela Organização Internacional do Trabalho, provoca alterações capazes de levar à redução da destreza e ao enrijecimento dos músculos. A exposição ao frio é apontada como fator que contribui e agrava a incidência de disturbios osteomusculares. No Brasil, esse fato é reconhecido, inclusive, pelo INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]. Isso sem contar doenças respiratórias, transtornos mentais, entre outros problemas. Importante lembrar que o trabalho em frigoríficos expõe os trabalhadores a muitos agentes de risco além do frio, como o ritmo intenso, ruído, umidade, posturas inadequadas, movimentação de cargas. Portanto a sociedade, o setor público e as empresas deveriam ampliar as medidas de proteção à saúde e não atuar em sentido absolutamente contrário.
Isso foi discutido durante a audiência publica na Câmara?
A audiência pública proporcionou a abordagem técnica do tema por parte da Fundacentro [instituição do governo federal que atua em pesquisa sobre a saúde e segurança do trabalhador], do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho e de representantes das empresas. Infelizmente, o que se pode perceber, é o menosprezo do autor do projeto em relação à Justiça do Trabalho, que ele propôs extinguir porque ela tem assegurado a interpretação da lei em conformidade com os princípios básicos de proteção à saúde garantidos por nossa Constituição.
A nova nova regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego, que trata das condições de trabalho em frigoríficos, não acabou de ser aprovada? É necessária uma nova mexida na legislação?
A NR 36 foi publicada em 19 de abril e prevê prazos para implementação gradual das medidas. Algumas têm prazo de até 24 meses para a sua implementação. É lamentável que as empresas, que nem instituíram ainda as medidas previstas, já vêm atuando na redução de importantes normas de proteção à saúde dos trabalhadores. Conclui-se, assim, que as empresas do setor não têm a intenção em adequar o meio ambiente de trabalho, limitando-se a focar exclusivamente em aspectos financeiros e não de garantia da vida digna e do trabalho decente – preceitos constitucionais que não podem ser sobrepor ao desejo incessante de lucro. O setor frigorífico no Brasil tem crescido em ritmo de país asiático, nos últimos anos, e em 2013 não será diferente, mesmo com o incremento extraordinário do preço dos insumos ocorrido no ano passado, que prejudicaram o desempenho do setor neste ano. Por essa razão, não há sequer um pretexto de ordem econômica capaz de sustentar moralmente esse projeto.
Qual o tamanho do problema?
Estima-se que, no mínimo, 20% dos empregados em frigoríficos estão acometidos de distúrbios osteomusculares relacionais ao trabalho. Incluindo-se os transtornos mentais, os dados são ainda mais expressivos. Em inspeção realizada pelo Ministério Público do Trabalho no maior estabelecimento do país, com 8 mil empregados, comprovou-se que a cada mês ocorria cerca de mil afastamentos por distúrbios osteomusculares. Estudos apontam que os empregados que trabalham na movimentaçao de cargas para dentro e fora de câmaras frigoríficas com até 4ºC apresentaram temperaturas das mãos superiores às daqueles que trabalham nas salas de corte (que estão expostos a 10º, 12º C), uma vez que não se expõem de forma contínua ao frio, ainda que este seja mais intenso. O MPT chegou às mesmas conclusões nas medições que realizou nas extremidades das mãos de empregados das salas de corte (10 a 12ºC) e de câmaras frigoríficos (abaixo de 4ºC). Dados epidemiológicos extraídos do banco de dados do INSS demonstram que há 426% mais doenças dos tecidos moles (tendinite, tenossinovite, bursite, dentre outros) e 341% a mais de transtornos mentais do que em outros setores.
O que o Ministério Público do Trabalho pretende fazer?
Esperamos sensibilizar os membros do Congresso Nacional quanto à importância da manutenção de medidas de proteção à saúde dos empregados em frigoríficos e continuaremos atuando de forma rigorosa na adequação desse meio ambiente de trabalho. Temos que dar visibilidade ainda maior a qualquer tentativa de prevaricação da saúde dos empregados em frigoríficos.

EXTRAIDO DO BLOG DO XICO SÁ 5:

Metro-nécessaire X capanga-jurubeba

A semana pedagógica no blog continua. Projeto Educação Sentimental. Episódio de hoje: tipos de homens, parte XIII.
Depois de citar ao infinitum a expressão macho-jurubeba, recebi uma nova balaiada de mensagens pedindo, encarecidamente, que eu tentasse explicar o que seria o tal homem.
A expressão surgiu no Cariri, precisamente em Santana, onde os fracos não têm vez, eu disse Santana, a maior reserva de fósseis de pterossauros gigantes do planeta.
Foi, porém, ao  me deparar em um banheiro de um moderno restaurante de SP, com dois homens, aparentemente héteros, discutindo sobre técnicas depilatórias e cremes básicos para uma nécessaire masculina, que me veio ao cocoruto, imediatamente, a velha imagem da capanga e o kit máximo permitido por um macho-jurubeba.
Como bem sabemos, amigo, o macho-jurubeba é o macho-roots, a criatura de raiz, o sujeito tradicional e quase em extinção nos tempos modernos.
Praticamente extinto, sejamos sinceros. Não há esperança, o velho Francisco, meu pai, lá no seu rancho nas bordas da chapada do Araripe, deve ser um dos derradeiros da legião de bravos.
O macho-jurubeba é um personagem que nos parece nostálgico e, de algum modo, folclórico, mas perfeito para nos revelar o universo dos marmanjos até meados nos anos 1990 –quando Deus fez, de uma costela do David Beckham, o ser doravante conhecido como metrossexual.
Vasculhemos, pois, a capanga, usos, costumes higiênicos e os arredores antropológicos deste predador do nosso paleolítico.
Era sim naturalmente vaidoso o macho popular brasileiro.
Aqui encontramos os vestígios: um espelhinho oval com o escudo do seu time ou uma diva em trajes sumários, um pente nas marcas Flamengo ou Carioca, um corta-unhas Trim ou Unhex, um tubo de brilhantina, um frasco de leite de colônia…
Vemos também, no fundo do embornal, uma latinha de Minâncora e outra de banha de peixe-boi da Amazônia em caso de eventuais ferimentos, calos ou cabruncos.
Em viagens mais longas, barbeador, gillette, pedra-hume –o seu pós-barba naturalíssimo, nada melhor para refrescar a pele e fechar os poros.
Alguns pré-modernos e distintos se antecipavam aos novos tempos usando também Aqua Velva, a loção para o rosto utilizada pelos “homens de maior distinção em todo o mundo”.
Investigamos também, no kit do macho-jurubeba, emplasto poroso Sabiá, pedras de isqueiro com a marca Colibri e um item atual até nossos dias, o polvilho antisséptico Granado, afinal de contas a praga do chulé é atemporal e indisfarçável.
O lenço de pano nem se comenta, não podia faltar nunca.
Ainda no capítulo do asseio corporal e dos bons tratos, façamos justiça às moças. Elas adoravam tirar nossos cravos e espinhas, atitude hoje cada vez mais rara –se alguma o fizer, amigo, a tenha na mais alta conta, a abençoada filha de Eva te ama mesmo.
O macho-jurubeba, mesmo à beira da extinção, resiste!

EXTRAIDO DO BLOG DO XICO SÁ 4:

Código de tratamento entre homens

Do cavalheirismo com as mulheres ao modo abertamente estúpido de tratamento entre os homens. Semana pedagógica no blog.
Quanto mais estúpido, mais carinhoso. O pior é que é isso. Quanto mais amigo, mais adotamos um jeito tosco de lidar com as palavras.
Muito engraçado como os homens se cumprimentam. Um dos costumes imutáveis da natureza do macho. Seja em inglês, nordestinês, mineirês ou na língua dos esquimós. É de uma delicadeza de fazer corar o Charles Bronson.
Já tratamos aqui deste mesmíssimo tema. Hora oportuna para relembrar.
No “Gran Torino”, filmaço, Clint Eastwood -diretor e ator principal- dá uma aula ao seu pequeno pupilo sobre as saudações iniciais nos encontros dos cavalheiros. De morrer de rir.
Falo da cena da barbearia, que não é capital no enredo mas injeta uma cápsula de testosterona no filme digna dos grandes faroestes. O durão Walt Kowalski (Clint), veterano da guerra da Coréia, mostra para o adolescente como adentrar o recinto e cumprimentar o barbeiro.
“Seu italiano ladrão de merda” é o mais agradável dos tratamentos que se ouve na pedagogia do velho. O sr. Walt treina o guri, que entra e sai no estabelecimento, repetindo a lição. O barbeiro responde à altura. “Seu china miserável eu acabou com a sua raça”. Uma onda.
Assim é no dia-a-dia, encontramos um chapa, amigão mesmo, e detonamos.
Temos várias formas de esculhambá-lo carinhosamente: pelo seu lugar de origem, pelo seu time do peito, pela sexualidade, pelo chifre, tamanho da pança, pela donzelice propriamente dita -caso dos queijudos, criaturas que têm dificuldades imensas no acesso às mulheres.
Tudo é motivo para a gozação, o chiste, a pilhéria, a gréia, a fuleiragem social clube propriamente dita. É, macho, a gente não cresce nunca nesse aspecto.
Neste e em mais uns seiscentos itens da existência. E olhe que não estamos falando daquela perobice do Peter Pan, que se recusa a crescer.
A gente não evolui. Ponto. E quando estamos apenas entre homens, voltamos mil casas, direto ao paleolítico ou à terra de Malboro. É baixaria pura, meus camaradas.
E você, amigo, qual o cumprimento predileto neste faroeste?

EXTRAIDO DO BLOG DO XICO SÁ³:

Pelo direito de ser cavalheiro

Cavalheiro ou Canalha? É o título de reportagem desta semana da revista “Carta Capital”. É que as novas feministas -ou os novos feminismos- acham que a gentileza masculina é apenas uma armadilha de dominação.
É, amigo, desejam praticamente criminalizar o código dos bons modos do homem, como puxar a cadeira do restaurante, abrir a porta do táxi (como o bom Don Draper aí na foto), proteger a formosa dama em uma travessia de rua, ser elegante com as moças etc.

Sobrou até para o Obama recentemente. Caiu na besteira de elogiar a beleza da nova procuradora-geral dos EUA, Kamala Harris. Levou cacete das minas mais radicais. Que mundo chato, meu Deus.
Todo canalha é um pouco cavalheiro, mas nem todo cavalheiro é canalha. O canalha é o cavalheiro de resultado, somente no momento da conquista barata.
O cavalheiro por vocação é gentil 24 horas, tenha interesse ou não na mulher. Se tiver interesse só reforça no seu código de gestos e delicadezas.
Entrevistado pela repórter Cynara Menezes dei lá os meus pitacos na matéria:
Ver como negativo os bons modos é pura paranoia delirante. Um cavalheiro convicto não abandona seus gestos, sob pena de sentir-se um tosco, grosseiro.
Óbvio que está meio fora de moda ser cavalheiro. Os mais jovens nem sabem mais o que seja isso. Sintoma dos novos tempos. Isso não significa, no entanto, que sejam menos ou mais machistas.
Tratar uma mulher como se fosse um “mano” qualquer não creio que seja também um avanço.
Perdão pelos bons modos, mas resisto. Primeiro as damas.

EXTRAIDO DO BLOG DO XICO SÁ²:

12 cantoras para curtir a lama do amor

As meninas pediram, eu obedeço. Não poderíamos deixar de fazer também uma lista das divas da nossa música romântica –brega para outros, cafona para os metidos etc, deixa quieto o avexamento dos carimbadores malucos de rótulos.
Atire a primeira pedra de gelo no meu uiscão aquele que não curtiu uma fossa ao som de uma Diana, por exemplo, ou da minha preferida Vanusa, mulher do grande Antonio Marcos –vide lista anterior.
Elza Soares manda a dor mais aguda ou crônica, ontem e hoje.
Como uma Deusa? Sim, vamos de Rosana.
Carmen Silva, nossa Nina Simone!
Ô meu amado, por que brigamos? A hora e a vez de Diana, sempre homenageada pela Bárbara Eugênia, uma das melhores da nova safra de cantoras.
Agradecemos às colaborações certeiras de Dadá Coelho, essa gênia do humor, e às leitoras May e Rita Moraes. A nossa dúzia de deusas do romantismo, uma homenagem à diva viva maior, Ângela Maria, 60 anos de batente:
De cara, me assusto: e a Maysa? Meu mundo caiu, leitores. Tudo bem que já havia feito uma lista em homenagem somente a esta deusa do sofrimento, mas é imperdoável.
Como digo, fazer lista é cometer injustiça. Como pode, em uma lista que não é obrigatoriamente brega, esquecer a Elis Regina, a Nara? Cadê a Elisângela, por exemplo?
Cadê a Rosemary, cadê a Joana? Cadê, sobretudo, a Kátia, a linda ceguinha amiga do Roberto Carlos? Não tem jeito. Lista é só uma faísca do momento. É hora de você reparar meus erros e citar o que deixei de fora.

EXTRAIDO DO BLOG DO XICO SÁ:

É na turbulência que sabemos quem amamos

Ou Isso não é uma metáfora, não é uma metáfora, não é uma metáfora. Macho-jurubeba diz na lata. Mas vamos ao que interessa:
Foi por medo de avião que ela segurou pela primeira vez na minha mão, turbulência na viagem Porto Alegre/SP, um beijo depois no céu de brigadeiro, inesquecíveis olhos atlânticos da repórter-fotográfica…
As turbulências podem nos render um amor fugaz. Este que retrato aí acima até durou algum tempinho em terra firme. Acabou, chorare.
Normalmente as turbulências são apenas turbulências mesmo, como diz hoje no caderno de “Turismo” da Folha um acaciano comandante da Gol. A matéria trata de como perder o medo de avião, recomendo a leitura. Leia aqui.
Já senti algum medinho, principalmente naqueles vôos em aviões teco-tecos de garimpo sobrevoando a floresta amazônica. Hoje os sacolejos da aeronave me dizem coisas. As turbulências hierarquizam os meus sentimentos.
Complicado? Explico. É na hora do sacode nas nuvens que a gente sabe quem ama de verdade. Pelo menos quem a gente ama naquele momento da vida. É batata. Teste você mesmo.
A aeronave chacoalha, a aeromoça aflita pede calma, como na canção do Chico, e você pensa apenas nele(a).
Óbvio que o edipianismo grita nessa hora. Nego pensa muito na sagrada mãezinha querida. As mães, óbvio, pensam nos filhos.
Noves fora essa ciranda familiar, você pensa no amor, digo o amor na sua versão mais erótica e menos sagrada.
Se estamos na dúvida, naqueles momentos em que vivemos várias histórias paralelas, a turbulência decide: é ele, é ela!
O até então obscuro objeto de desejo ganha alta definição na sua cabeça. Você é capaz de ver o rosto dele(a) no turbilhão das nuvens.
Há quem pense em um amor incurável pelo(a) ex.
Há de tudo.
Eu acredito nas turbulências de uma forma mística. Ontem mesmo, em um vôo Rio/Curitiba, uma falsa-magra do Catete me surgiu do nada a dez mil pés.
Bom vôo, sempre, mas se tremer o asa-dura, como os sertanejos chamam aviões, tire todas as dúvidas sobre o seu amor de verdade.
P.S. Sim, amigo, você acertou: a foto do post é da Sylvia Kristel, La Emmanuelle, na primeira cena de sexo a jato do cinema.

É DESSE JEITO...


EXTRAIDO DO FACE - EU SOU MEIGA, PORRA³:

"Não é fácil explicar. Faço as coisas por empolgação e no outro dia, sei lá. Sou dessas pessoas que ficam procurando as canções no rádio até achar um clássico, algo perfeito para aquele horário do dia, aquele semáforo. A música acaba e eu troco de estação." Gabito Nunes

EXTRAIDO DO FACE - EU SOU MEIGA, PORRA²:

"Quando eu confio, confio de corpo, alma, coração. Não faça com que eu perca essa pureza. Entende? Confiar é se entregar. Dar a palavra é assinar um contrato imaginário: minha alma não vai ferir a sua. Por favor, dê valor para as suas palavras." Clarissa Corrêa

EXTRAIDO DO FACE - EU SOU MEIGA, PORRA:

"Ser feliz não é muito difícil, basta não ficar obcecado com esse assunto e tratar de viver. Quem pensa demais, não vive." Martha Medeiros

CONVITE:


QUE MERDA!!!!!


MÚSICA DO DIA:

FLÁVIO VENTURINI - VIVER POR VIVER


Sigo pela rua afora
A razão de ser eu não sei
A cidade me devora
Mas a poesia também
Faz a gente jogar fora
Tudo que existe de mal
Não vou me deter agora
Pois viver feliz é normal

Dia de viver por viver
Pouco vale a luz do cristal sem você
Pouco importa o sol da manhã
Se aqui você não está

Se chegar a nossa hora
Abandona o medo do olhar
De amar a gente chora
Mas é o que faz alegrar

Viva e deixe viver
Ouve se seu coração
Só viver por viver
Ouve seu coração

VERSÍCULO DO DIA:

Ao que está aflito, devia o amigo, mostrar compaixão...(Jó 6:14a)

FRASE DO DIA:

NOSSO FUTURO, NÃO DÁ PRA DECIFRAR, É INCERTO E EU FICO TENTANDO ADIVINHAR.

31 de Maio de 2013

As pessoas tem em si, uma necessidade enorme em se comunicarem, como dizia João Gliberto; "Ninguém e feliz sozinho", na verdade, ninguém aguentaria viver isolado em uma ilha por mais que muitos batam no peito e digam que é isso que querem e sonham, reparo que pelas redes sociais, as pessoas se manifestam dos mais variados modos, sobre fé, futebol, politica, cotidiano, relacionamentos e tudo mais que estiver em moda ou em pauta, tem gente que trabalha de graça para as emissoras de tv e narram novelas, filmes, enfim, divulgam suas programações, como se não tivéssemos tv em casa, o ser humano é um ser fascinante, mas também dificil de entender, tem gente que conversa horas comigo na internte, mas não me dá um oi ao vivo e a cores. Talvez esse seja o triste retrato de um futuro tenebroso nas relações, ja temos amizades virtuais, sexo virtual, mas em breve, no passo em que estamos, teremos casamentos virtuais e filhos também no mesmo naipe as dúzias, essa massa de pessoas prefere hoje em dia, se esconder atrás de uma tela, de um fake ou de uma foto menos pior, do que se revelar como de fato são, são complexas e cheias de preconceitos quando se julgam justamente ao contrário. Eu ainda prefiro o calor humano de um abraço, o som de uma gargalhada, o toque dos dedos, a leve sensação do frio na barriga se seremos ou não aceitos como somos, em tamanho, beleza, cultura, papo, formas, cheiro e tato.
Sabemos que o medo contribui muito para isso, essa reserva em conhecer alguém, mas e a minha e a sua vida onde ficam nisso? Já conheci muita gente através da internet, claro que já me dei mal, claro que já fingiram ser alguém que na verdade nunca foram, mas também conheci pessoas que hoje fazem parte do meu dia, convivem comigo e tenho um enorme prazer em recebê- los em minha humilde casa, e o bom que essa é grande maioria, por mais que os tempos hoje peçam e supliquem por cuidado e prudência, eu amo conhecer pessoas e sigo a risca uma farse de uma canção do Flávio Venturini; "Viva e deixe viver".
Passei devido a diabetes, um periodo de profunda depressão, é uma doença silenciosa que ataca de mansinho como quem não quer nada, lendo relatos e matérias, percebo que esse isolamento, tão apoiado até por pais que preferem ver seus filhos sem pegar sol, praticar esportes, sair, zuar com amigos, mas ilusóriamente seguros em suas residências, contribui muito pra essa doença e na boa, não quero mais nada disso em minha vida. Gosto de sentir o sol, gosto de andar, pedalar, sair nem que seja pra lanchar, não soud e fazer muitas amizades, detesto gente entrona e de papo torto, sou adepto da economia, vamos direto ao ponto e sejamos felizes ou não, mas amo observar. Ainda estou longe do ideal que busco, ter mais tempo para mim e para meus filhos, ter mais ânimo e não estar tão cansado nos fins de semana, detesto tumulto, mas já fui ao shopping por duas vezes em pouco tempo, estou em desenvolvimento social. Se você nao tem os problemas que eu tenho e nem as responsabilidades que possuo, é obrigação sua, tirar a bunda dessa cadeira, sair da frente dessa tela de computador, largar as manetes do seu game e partir pra conhecer gente de verdade, não existe nada melhor, viva e deixe viver, ontem disse a uma amiga por enquanto virtual, gostaria de ter a sua idade, com a cabeça de hoje, mas ai não seria real, seria ficção.  

Mudando de assunto; Creio que alguns podem ter reparado que diminui ou até deixei de comentar sobre politica aqui no blog, isso foi proposital, fora o que eu tenho que ouvir, gente em cima do muro que bate e assopra, gente alienada que acha tudo isso é normal e que devemos nos conformar, resolvi fazer do que é meu, um espaço sem essa corja. Claro que o assunto que gritar nas ruas daremos a nossa humilde opinião, mas vou evitar mesmo, falar da falta de segurança na cidade, das filas em bancos e hospitais, da dengue, do péssimo transporte público e da burocracia em se conseguir coisas simples por aqui, me irrita muito mais do que a minha merda de conexão da TIM que conecto no mínimo 50 vezes em duas horas e meia de postagens.
Hoje nas minhas orações, eu observei um defeito nelas, eu sempre pedi proteção, força, fé e outras coisas, mas jamais pedi orientação, muitas das vezes, queremos Deus como o nosso aliado, mas teimamos em querer fazer do nosso jeito.
Não posso falar muito, mas a sorte está lançada.
Fechando e passando a régua em mais um mês, amanhã tem gravação do Black Total 34, aguardem!!!!!

Bom dia.